Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012

CAI A NOITE


Tornados em silêncio os desejos - 
Somos clandestinos 
Cinco minutos bastam - meio ao dia 
Face a face nos espelhos 
A explodir o exagero liberto da poesia 
Mil imagens de mim e de ti 
Multiplicam-se na luz - reflexos incontidos 
Prometidos prazeres - nenhum proibido 
Misturam-nos as carnes - igualam nós dois 
Desembaraçadas as mais profundas paixões 

Cinco minutos libertos da poesia - meio ao dia 
Bastam-nos - 
(basta-me a tua potência máxima)

Mil olhares de ti e de mim 
(onde mais senão ali refletidos?)
Ficam-lhe bem em tua face 
Todos os apetites - os sabores de nós dois 
Que tanto - e tão mais nos espelhos 
Tu aprecias.

DIVERSIONISMO PETISTA EM NINHO TUCANO: TODOS CONTRA SERRA?


Malgrado tender ao esquerdismo e desoposicionismo, José Serra ainda é muito melhor para governar São Paulo do que qualquer petista. Esses, em alvoroço pela entrada do tucano na disputa da "fronteira final", São Paulo, acionam a máquina e os seus ratos, que, para garantir o queijinho dos ratinhos, trabalham na tentativa de barrar adesões e enfraquecer Serra. O que é até esperado. O que não deveria ocorrer, é a adesão de tucanos ao modo de ação que interessa aos petistas. 

A imprensa genuflexa repercute, alvissareira, declarações de Fernando Henrique Cardoso de que Serra, depois de eleito, deixará a prefeitura para disputar a Presidência da República. FHC, apesar de esquerdista, fez um governo razoável. Mas, de 2002 para cá, tem apoiado o incompetente governo petista. Tem, sistematicamente, feito intervenções políticas desastradas para o Brasil. Ao se expressar politicamente sobre a candidatura do PSDB para 2014, faz o jogo dos supostos adversários petistas.

Às vezes, racionalidade não combina com disputa política. Ou melhor, a disputa política deve sempre basear na racionalidade, o que, paradoxalmente, implicar parecer irracional. Assim, racionalmente, não se vislumbra que Serra possa sair da prefeitura para se candidatar a presidente. Mas discutir isso, agora, ao menos, para parte psdbista é irracional, porque ele ainda não foi eleito prefeito. Pensar no que José Serra poderia fazer depois de eleito é racional. Discutir isso antes de ser eleito é irracional politicamente, salvo para os traíras, os inimigos e os petistas.

Os ratos, racionalmente, vendem a irracionalidade dessa possibilidade como um fato certo futuro, pelo valor presente: eleitores traídos. O que, racionalmente, é apenas uma das várias hipóteses, é difundido tanto por FHC, quanto por ratos petralhas como realidade presente, concreta. Como o eleitor é imediatista...

Conclusão: a utopia FHCeana serve à real politik petista.
Arquivo:

Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012

CAI A NOITE

− Não passes, caminhante! − Quem me chama?
− Uma memória nova e nunca ouvida,
De um que trocou finita e humana vida
Por divina, infinita e clara fama.

− Quem é que tão gentil louvor derrama?
− Quem derramar seu sangue não duvida
Por seguir a bandeira esclarecida
De um capitão de Cristo, que mais ama.

− Ditoso fim, ditoso sacrifício,
Que a Deus se fez e ao mundo juntamente!
Apregoando direi tão alta sorte.

− Mais poderás contar a toda a gente
Que sempre deu na vida claro indício
De vir a merecer tão santa morte.

Luís Vaz de Camões

O DICIONÁRIO DO MPF: ENTRE A LIBERDADE E A CENSURA

Dicionário: (di.ci:o.ná.ri:o) sm. Obra que reúne, em ordem alfabética, as palavras de uma língua ou termos referentes a uma matéria específica, e descreve seu significado, uso, etimologia etc., na mesma língua ou em outra (dicionário de cinema/de inglês) 
[Caldas Aulete - iAulete]


Recentemente, a Fundação Getúlio Vargas publicou uma pesquisa realizada por sua Faculdade de Direito, que avalia o índice de confiança da população nas instituições e empresas. No levantamento, o Ministério Público aparece na 3ª posição, com 51% de índice de confiança, ficando atrás das Forças Armadas e da Igreja Católica. Ao se referir genericamente ao MP, evidentemente que trata-se, neste caso da pesquisa, de todas as competências que formam o Ministério Público da União e os MPs estaduais, que por sua vez, formam o Ministério Público brasileiro. 

Acompanhar o trabalho do Ministério Público, e em particular do MPF, senão por outros motivos, faz parte do meu cotidiano por respirar os ares da cena política nacional. Mesmo sendo órgão independente (tem autonomia na estrutura do Estado), a sua atuação dá-se como  "fiscal da lei" contra ato de autoridade pública federal ou equiparada. É da República, essa ligação entre seus Poderes.

Pois bem. A supracitada pesquisa reflete o meu pensamento pessoal. Tenho um bom nível de confiança no trabalho do MP, confiança esta relacionada diretamente, no meu caso, ao fato de que cada membro do Ministério Público Federal tem inteira autonomia em sua atuação, ou seja, não está sujeito a ordens de superior hierárquico do próprio MPF ou de outra instituição. Isso, no meu modo leigo de pensar, é preponderante para agregar o devido valor, a devida carga de responsabilidade e integridade que desejo ver na atuação de um membro do MPF, ao cumprir suas respectivas funções constitucionais.

Como mantenho interesse diário nesse acompanhamento, apesar de não ser da área do Direito, em diversas ocasiões, este blog falou sobre algo relacionado ao MPF. Em  Desgoverno x Ministério Público Federal, critico a absurda PEC 75, que pretende extinguir a garantia de vitaliciedade dos membros do Ministério Público. Esta, tal qual a famigerada PEC 37 que, em outras palavras, pretende cassar a prerrogativa de investigação do MP, trata-se de vil tentativa desse governo esquerdista que nos desgoverna, de impedir que os seus corruptos de estimação (e outros que tais) sejam punidos criminalmente, evitando que sejam denunciados pelos membros do Ministério Público, à força de tais emendas que, de alguma forma, pressionam e/ou tiram o poder de livre atuação do MP. 

Instituições são formadas por pessoas, portanto, sujeitas às falhas inerentes às pessoas. Dessa forma, o MP não escapa do binômio agradar/desagradar a quem quer que seja. Em tom de bom-humor, digo que tenho duas listas, conforme o juízo baseado em meus valores e nas expectativas - elevadas, em função da qualidade que reconheço em muitos de seus membros - da atuação constitucional da instituição. "Dedão pra cima" é a lista onde relaciono atuações que correspondam (algumas superam) à essas expectativas. Nessa estão, por exemplo, a atuação do procurador Mário Sérgio Ghannagé Barbosa, de Joinville, descrita em O Aparelhamento da Arquibancada; o excelente artigo A Copa da Corrupção, de Duciran Farena, do MPF/PB. E o que dizer do histórico* parecer contrário à censura no Twitter, aquele libelo à liberdade e à garantia dos direitos democráticos elaborado pelo procurador regional do direitos do cidadão do MPF/GO, Ailton Benedito? [Como se Desconstrói a Censura e Censura: da Democracia do MPF à AGU Sonhática]. O procurador Ailton Benedito, registre-se, marca presença constante e justa no blog, por seus artigos e/ou atuações que exemplificam muito bem o que defendemos ou combatemos. Confira tudo aqui.

Eis que eu tenho a lista "Dedão pra baixo". Atuações que levam o GONGO! Não é que eu ouse discordar, imagine!! Ocorre que os próprios atores que as protagonizam, praticamente imploram para entrar nessa lista. Ou alguém considera que eu poderia classificar como aceitável o parecer do Procurador-Geral Roberto Gurgel, contrário à investigar o enriquecimento súbito de Palocci? "Parecer-padrão Zé das Couves" deu uma liçãozinha desta leiga aqui, no dito cujo parecer do PGR. Outros frequentam "Dedão pra baixo" basicamente em função de atuações cuja motivação seja puramente ideológica, militante, favorável às cartilhas que servem ao pensamento totalitário em implantação no país. Pois acaba de adentrar, com louvor, a ação do procurador Cléber Eustáquio Neves, do MPF de MG, solicitando que a Justiça determine a imediata retirada de circulação, suspensão de tiragem, venda e distribuição do dicionário Houaiss, porque, segundo sua opinião, contém expressões "pejorativas e preconceituosas" e pratica racismo aos ciganos.  

A prática de recorrer à censura em nome de suposto preconceito, é nitidamente uma obsessão das veias esquerdistas que jorram sangue totalitário, via aparelhamento de tudo que é instituição, pública ou privada, nestepaiz. Se não foi essa a intenção do procurador, francamente, Cleber, baby... é o que pareceu. Censurar livros sob esse argumento não é inédito (pós-regime de exceção). Lembram da censura que o MEC promoveu a ninguém menos que Monteiro Lobato? Pois é. Numa república sindicalista como a nossa, cuja direção de um sindicato dos professores promove queima de livros na rua, retirar outros de circulação não só me decepciona, como me choca, por se tratar de iniciativa de membro da TERCEIRA INSTITUIÇÃO MAIS RESPEITADA PELO POVO destepaiz. Justamente a que deve zelar como "fiscal da lei", pelos princípios democráticos garantidos na Constituição e et cetera.

Nem entro no mérito das definições relativas a ciganos. Porque o que me pega é que sou incapaz de entender, sozinha, o que, afinal de contas, o procurador fez. Não consigo! Ao ponto de sequer ser capaz de fundamentar críticas. Nem me darei a esse trabalho, nesse post. Estou, desde ontem, literalmente de queixo caído, pasma com uma ação que censura um DICIONÁRIO! Tipo arma perigosíssima?! É tão inacreditável que me emburreceu. 

Acordei com vontade de telefonar para a Procuradoria da República, em Uberlândia, e solicitar entrevista ao procurador. Um tipo de Looola feelings, aquele do "acordei invocado e liguei pro Bush". Para entender um pouco a questão, eu queria mesmo era perguntar para Neves o que há de juízo de valor e o que há de ontologia nessa sua ação contra o Houaiss? O que é "Constituição" e o que é militância, pelo amor das santas letras do seu nome, nessa sua interpretação? 

Como o Veneno é muito pequeno, muito blogueto para tanta ousadia, então fica apenas o registro de um desabafo. E claro, aproveito meu bloqueio mental (pelo susto) para usar "falas" selecionadas do Twitter. Elas dizem o que eu gostaria, mas de forma muito melhor, do que eu diria, porque o trauma me impossibilitou o raciocínio.

"Dicionário não define pejorativamente nada. Só REGISTRA os significados que os falantes da língua dão às palavras." [by @MNavarroRD

"MPF não tem mais o que fazer? Pessoal deveria LER mais dicionário, isso sim. Circulação por racismo, a mesma "interpretação" do Monteiro Lobato?" [by @DriFalavigna]

“ 'Se você quer uma imagem do futuro, imagine uma bota prensando um rosto humano para sempre.' (Orwell). Num dia fatídico, quando a liberdade sofre mais uma capitis diminutio, o óbvio dispensa originalidade.” [by @bschopenhauer]

Sem mais. Mesmo. 


*Estou convicta de que o posicionamento do procurador no processo AGU x Twitter tornar-se-há um marco do tema 'liberdade nas redes sociais' não só no Brasil, como no mundo. Porque, a meu ver, não se trata de censura num país como China ou Cuba que já vive sob a maldita. Por se tratar de um país sob regime democrático, in my opinion, caso a Justiça Federal não acate o pedido de arquivamento da ação, a censura abrirá um precedente temerário para o resto do mundo, a saber, naqueles países que, à semelhança do Brasil, não vivem sob ditadura mas não têm a Democracia verdadeiramente amadurecida, aplicada de forma naturalmente forte no seio da sua sociedade. 

**Não tenho conhecimento sobre a cultura, história, costumes, etc., dos povos ciganos. O que sei é só o que vemos por aí, mesmo. Mas registro que acho tudo lindo! Danças, a lenda da vida "livre", etc. Não configura meu life stile. Mas acho fascinante, visualmente, como por exemplo, a moda...

Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

CAI A NOITE


Recuso-me a aceitar o que me derem.
Recuso-me às verdades acabadas;
recuso-me, também, às que tiverem
pousadas no sem-fim as sete espadas.

Recuso-me às espadas que não ferem
e às que ferem por não serem dadas.
Recuso-me aos eus-próprios que vierem
e às almas que já foram conquistadas.

Recuso-me a estar lúcido ou comprado
e a estar sozinho ou estar acompanhado.
Recuso-me a morrer. Recuso a vida.



Recuso-me à inocência e ao pecado
como a ser livre ou ser predestinado.
Recuso tudo, ó Terra dividida!

Jorge de Sena

TORNANDO MAIS FÁCIL A AUTO-DEFINIÇÃO SEXUAL



Em pleno carnaval, assistindo ao Saia-Justa, descobri que, na Austrália já há opção de se declarar genderless (algo como sem gênero definido) em documentos oficiais, inclusive passaporte. O interessante é que há apenas três opções: homem, mulher, genderless. Esta modernidade, de alguma maneira reafirma o princípio de que o que está entre o feminino e masculino pode ser qualquer coisa menos os gêneros originais. Ou seja, não é uma coisa nem outra e sim uma terceira. Isto posto, o adjetivo genderless pode ser libertador. Vale à penal ressaltar que, até onde eu sei, há 10 definições de gênero (quem souber de mais algum, por favor, me diga). E é neste contexto que o genderless perde sua conotação inicial de andrógino para abranger todas as denominações. Ou seja, não rotula. Qualquer um pode se identificar com o que quiser sem ter que dar maiores explicações. E não há necessidade de, de tempos em tempos, estar criando novas denominações.

O genderless talvez venha colocar um fim em situações constrangedoras, como a que envolveu um homem-hétero que estava praticando cross-dressing (se vestir de mulher) e por isto achou-se no direito de usar o banheiro feminino de um restaurante. Uma mulher que estava com uma menina não gostou, reclamou ao gerente. Este passou a reclamação ao homem que acabou denunciando o caso e fazendo com que a casa fosse multada. Ao se oficializar a definição, o genderless terá direito de ser o que é em todos os momentos da vida, inclusive nos banheiros públicos ou privados, pois terá o dele.

Vale lembrar que no Rio, algumas escolas de samba e ambientes mais moderninhos já têm um terceiro banheiro. Nos Estados Unidos algumas firmas mais “antenadas” possuem banheiros enormes que servem para todos, independente do sexo. Claro que são feitos de maneira a preservar a intimidade do usuário. Parece que se precisou de muito tempo para que o bom-senso prevalecesse de maneira que o direito de todos, homem, mulher e genderless fosse respeitado.

Agora uma coisa interessante é que por mais que se critique a sociedade dita conservadora, é ela que serve para parâmetro para qualquer novidade em termos de relacionamento. Qualquer homem, mulher ou genderless sonha com uma união com o ser que ama. Qualquer homem, mulher ou genderless quer um canto para chamar de seu, de preferência tendo alguém para dividi-lo. Muitos genderless, assim como muitos homens e mulheres, anseiam por um casamento religioso. E, também como muitos homens e muitas mulheres, muitos genderless sonham em criar filhos. Ou seja, na hora da grande decisão, todos se lembram do valor do papai-mamãe (a intenção é sem duplo sentido, mas...)

Sim, o tempo passa a lusitana roda, mas é a tão criticada, escorraçada e antiquada vida burguesa o sonho de 11 entre 10 ocidentais. Por que no fundo, no fundo todos sabem que são os valores burgueses de respeito à liberdade, à propriedade, ao conhecimento e, sobretudo a defesa da democracia que criam seres livres com grande possibilidade de realizarem seus sonhos. E no fim do dia, quando se coloca a cabeça no travesseiro, o que todo o homem, mulher ou genderless quer é apenas ser feliz. Agora é bom lembrar que todos, homens, mulheres e genderless também têm seus deveres. E um dos mais importantes é o de respeitar o direito do outro.

Mirtes Guimarães é a @marcia1907, a jornalista mireiroca que traduz o cotidiano para o blog.

Arquivo:

Domingo, 26 de Fevereiro de 2012

CAI A NOITE


Em vão lutamos. Como névoa baça,
A incerteza das coisas nos envolve.
Nossa alma, em quanto cria, em quanto volve,
Nas suas próprias redes se embaraça.

O pensamento, que mil planos traça,
É vapor que se esvae e se dissolve;
E a vontade ambiciosa, que resolve,
Como onda entre rochedos se espedaça.

Filhos do Amor, nossa alma é como um hino
À luz, à liberdade, ao bem fecundo,
Prece e clamor d'um presentir divino;

Mas n'um deserto só, árido e fundo,
Ecoam nossas vozes, que o Destino
Paira mudo e impassível sobre o mundo.

Antero de Quental

É DOMINGO - AUTOCONFIANÇA CONTRA A ANSIEDADE

 Sempre que te aconteça alguma coisa contrária à tua expectativa diz a ti mesmo que os deuses tomaram uma decisão superior! Com semelhante disposição de espírito, nada terás a temer. Esta disposição de espírito consegue-se pensando na instabilidade da vida humana antes de a experimentarmos em nós, olhando para os filhos, a mulher, os bens como algo que não possuiremos para sempre, e evitando imaginarmo-nos mais infelizes um dia que deixemos de os possuir. Será a ruína do espírito andarmos ansiosos pelo futuro, desgraçados antes da desgraça, sempre na angústia de não saber se tudo o que nos dá satisfação nos acompanhará até ao último dia; assim, nunca conseguiremos repouso e, na expectativa do que há-de vir, deixaremos de aproveitar o presente. 
Situam-se, de fato, ao mesmo nível a dor por algo perdido e o receio de o perder. Isto não quer dizer que te esteja incitando à apatia! Pelo contrário, procura evitar as situações perigosas; procura prever tudo quanto seja previsível; procura conjecturar tudo o que pode ser-te nocivo muito antes de que te suceda, para assim o evitares. Para tanto, ser-te-á da maior utilidade a autoconfiança, a firmeza de ânimo apta a tudo enfrentar. Quem tem ânimo para suportar a fortuna é capaz de precaver-se contra ela; mas nada de angústias quando tudo estiver tranquilo!
O cúmulo da desgraça e da estupidez está no medo antecipado: que loucura é esta, ser infeliz antecipadamente? Em suma, para numa palavra te resumir o que eu penso e te descrever como são estes homens que, à força de se preocuparem, só conseguem fazer mal a si próprios: tanta falta de moderação eles mostram em plena desgraça como antes dela! Quem sofre antes de tempo sofre mais do que o devido; uma mesma incapacidade leva-o a não prever a presença da dor onde não a espera; uma mesma imoderação fá-lo imaginar permanente a sua felicidade, imaginar que os bens que o acaso lhe deu não só hão-de perdurar como também de multiplicar-se; esquecido do trampolim que é a vida humana, convence-se de que no seu caso, por excepção, o acaso deixará de se fazer sentir.
Sêneca, in 'Cartas a Lucílio'
Arquivo:
É DOMINGO - JUST KEEP WALKING
É DOMINGO - AS COISAS SECRETAS DE DUAS ALMAS


Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012

CAI A NOITE


Quem pode deter-te se és como um largo rio
Bravo, profundo, turbulento, rebelde rio
Famélico, sedento de curvas a conquistar
Poder imenso - conheces a tua natureza
De navegar sereno em relevo acidentado
Quem há de impedir-te se cavalgas algures - em mim
Solene, erguido, altivo, atrevido cavalgar
Conquista feroz - conheces a tua justiça
Das causas que sem cessar pelejas
Quem há de reter-te se és como um romper das veias
Súbito, intenso, vibrante, agudo corte
Quente jorro de sangue a reviver
Incandescente transfusão - conheces a tua força
Do acerto Divino que fez-te
O homem exato

Peito cheio de orgulho - nato
A atravessar florestas, negras, brancas, escuras, atlânticas
Calma em meio ao dia sesta sob o sol espontânea raiz
Terras férteis em sabedoria que dá frutos em copas vivas
Avanço de ousadias que o fluxo do universo cadencia
Quaisquer que sejam os ventos da verdade - tua eterna presença
Quaisquer que sejam os mares da liberdade - tua eterna crença
Dilatas aquecido apenas pelo pensamento - de pé
Da minha presença que tu chamas e acolhes
Em beijos ao luar ou às sombras de nuvens
Em meio às raízes ou noturnas geadas
Envoltos, tomados, possuídos, adonados os meus lábios
(Onde mais te lançarias, com os teus, senão aos meus?)
Espírito em corpo sagrado - não importa quem não veja -
Te lanças sem segredo em procissão de entusiasmo
Sobre meus apetites - profundas paixões no cais do desejo
Quem há de impedir-te, tu, que o Divino acerto fez
Fusão completa dentro de mim -

Inteiro correto perfeito encaixe - O homem exato
Deste beijo.

OPOSIÇÃO RESPONSÁVEL OU CUMPLICIDADE CRIMINOSA?


O que será pior para o país, a ânsia, a sanha devoradora dos petralhas ou a passividade quase criminosa dos que deveriam ser os porta vozes dos 44 milhões de votos limpos dados não a José serra, mas ao que ele representava? A oposição propositiva, construtiva e, como diria meu caro amigo Dr. Evil, de punhos de renda, é algo desejável em um regime democrático? Onde termina a oposição responsável e começa a cumplicidade criminosa?

Afinal, é como nas tradições dos filmes de vampiro. O monstro domina a pequena vila e há um clima de terror em volta, mas os habitantes aceitam como normal e até desejável que volta e meia alguém pague com a vida para satisfazer o monstro, desde que tudo continue como sempre. Enfrentar a fera é algo impensável mas, e assim reza a tradição, mesmo o monstro tinha limitações. Dentes de alho impediam a sua aproximação e parâmetros litúrgicos como hóstia e água benta o podiam destruir, além da clássica estaca de madeira no coração. Outra limitação é que a criatura não tinha naturalmente o livre acesso a todo lugar. Se você fosse um morador ele só poderia entrar em SUA casa com a SUA permissão, mas depois disso é ele que passava a dominar. Sempre vi isso como mensagens simbólicas, de que as pessoas estão sempre dispostas a deixar que o mal adentrasse, desde que fosse aparentemente aceitável, superior e até um pouco ameaçador. 

Precisava encontrar, primeiro, justificativas maiores que a simples opinião para o povo e a oposição serem tão passivos frente a agressividade política e a desfaçatez dos donos do poder. Lendo um texto de Demétrio Magnoli tive um insight. Demétrio termina o maravilho e esclarecedor texto com a frase: 

“O pensamento duplo não é um acidente no percurso do PT, mas, desde que o partido alcançou os palácios, sua alma política genuína. A tensão entre princípios opostos é real, mas não explosiva. Num país em que a oposição renunciou ao dever de discutir ideias, o partido governista tem assegurado o privilégio de rotinizar a mentira.”

Será que a recusa da oposição de discutir ideias é um fator determinante até para as injustificáveis altas nas pesquisas de opinião? Da passividade bovina e ovina? O povo será influenciável pela atitude e está apenas reproduzindo? Perguntando assim, cheguei a dois experimentos psicológicos que, creio, responde as perguntas.

O primeiro era de Solomon Asch, um polonês de Varsóvia nascido em 14 de setembro de 1907, e emigrou para os EUA com sua família em 1920. Doutorado na Universidade de Colúmbia começou a elaborar suas pesquisas sobre a pressão social exercidas pelos grupos. A pergunta que ele pretendia responder era: como e até que ponto as forças sociais moldam as opiniões e atitudes das pessoas? A Comunicação experimentava um surto de crescimento tecnológico e de ampliação de seu publico e já havia então a a preocupação do poder de influência que a mídia poderia exercer na população. O mais famoso estudo de Asch - o efeito da pressão social na conformidade, deu pistas importantes para entender o fenômeno e seu experimento foi o seguinte:

Oito voluntários (na verdade apenas uma pessoa era voluntária, os outros eram atores contratados) tinham de observar uma linha em uma carta e depois em outra carta com três linhas, identificar a que era igual a primeira. Nas duas primeiras vezes tudo corria normalmente e todos os oito acertavam. A partir daí o primeiro dava uma resposta errada, o segundo também e assim por diante. O voluntário verdadeiro era deixado por último, e ao responder diferente, era olhado com desconfiança pelos outros. É então que o experimento ficava interessante: as pessoas passavam a seguir a opinião do grupo e depois de um certo tempo, chegavam até a duvidar do que seus olhos viam e acreditar no que os outros enxergavam. Considerando que a estimativa de respostas erradas nesse tipo de teste é de menos de 1 em 35 (menos de 3%), os resultados foram assombrosos: 75% dos participantes escolheram a alternativa errada ao menos uma vez; 37% dos voluntários erraram a maioria das respostas; 5% deles acompanharam a opção incorreta todas as vezes.

Até aí era um experimento inocente. Porém um genial discípulo de Salomon deu um passo adiante no estudo e assombrou o mundo. Stanley Milgram revelou o assustador comportamento que transforma pessoas comuns em malvados algozes, capazes de atrocidades inimagináveis. Pessoas aparentemente comuns tinham um potencial latente para a maldade, para cruzar limites, porém Milgram acreditava que a resposta estava mais no estimulo do ambiente do que realmente em algo de intrinsecamente mau nas pessoas. Era corrente o pensamento, na época, que a obediência cega à SS nazista durante o advento de Hitler era devido à lavagem cerebral, e Milgram não considerava isso correto. Sob sua ótica, qualquer situação potencialmente persuasiva poderia levar pessoas comuns a abandonarem seus princípios morais e cometerem as piores barbaridades.

De novo era um cenário montado para parecer real. Duas pessoas fariam o teste e seriam observadas por um pesquisador. Antes os voluntários verdadeiros (o pesquisador e o outro voluntário eram atores) assinaram um documento que entre outras coisas diziam que eles poderiam parar a hora que desejassem. Um sorteio de mentira era feito e o voluntário conduzido em frente a uma maquina com diversos botões com números embaixo que seguiam uma progressão. Os números correspondiam a voltagem que seria o choque dado a cada vez que o outro voluntário (o ator) errasse a pergunta feita. O pesquisador garantia que os choques não fariam mal algum. Eles estavam em salas separadas e se comunicavam através de um microfone e para todos os efeitos o voluntário verdadeiro acreditava que o outro estava com fios elétrico ligados ao corpo. De novo, as primeiras perguntas eram respondidas certas, e então os erros começavam e os choques eram aplicados conforme o previsto. Na outra sala o ator começava a gemer e reclamar dos choques. O pesquisador voltava a afirmar que os choques não fazem mal e que o experimento deveria continuar. 

O voluntário real começava a sentir-se incomodado, as mãos começavam a suar enquanto os erros, os choques e os gritos começavam a aumentar. 105, 110, 120, 150 volts. O “eletrocutado” participante dizia que queria parar, mas o pesquisador incentivava firme mas gentilmente; o experimento deve continuar. Com os choques imaginários em 210, 220 volts a parede divisória era chutada e os gritos eram angustiantes. A pessoa afirma então que não quer continuar o experimento mas o pesquisar, com toda serenidade afirma: "é necessário que você continue com o experimento”. Aqui já podemos perceber o poder que uma autoridade pode exercer e fazer com que façamos as coisas mesmo contra tudo o que acreditamos. Ao dar o choque de 405 volts o participante da outra sala deixa de responder e o voluntário pergunta se alguma coisa pode ter acontecido. Agora vem o surpreendente: o pesquisador pede que faça a última pergunta e diz que o silencio pode ser interpretado como uma respota errada e que o choque de 450 volts deve ser dado. Mecanicamente, o voluntário dá o ultimo choque e talvez imagine que apensa por sorte em um sorteio ele não está lá do outro lado.

Milgran junto com outros pesquisadores imaginaram uma taxa de 1,2% para as pessoas que iriam até o fim do experimento, porém nada menos que 26 dos 40 participantes do experimento foram até o fim. Nada menos que 65%! E nenhum voluntário desistiu antes dos 300 volts. E o detalhe é que eram pessoas tão normais como eu ou você. Não havia nenhuma causa aparente para que os voluntários que davam os choques continuassem o experimento mas tão só e apenas a autoridade do pesquisador de jaleco que ditava constantemente que deveria continuar conforme o previsto. Exatamente como os funcionários alemães durante o regime nazista. Uma variação do experimento foi tentada, mas desta vez os choques eram dados por duas pessoas, e de novo uma delas era apenas um ator que em determinada altura dizia que não iria continuar. Isso fez com que a maioria dos voluntários verdadeiros também desistissem, ou seja, que uma atitude positiva e firme poderia influenciar o outro.

É isso que penso quando vejo a nossa oposição tão feliz e contente com a forma de governo petralha. Os punhos de renda fazem com que outras pessoas que poderiam tomar atitudes simplesmente continuem atordoadas frente as autoridades do governo representadas pelos petralhas e seu Furher barbudo. Penso que é esta a causa da letargia do nosso povo e creio que eu e muitos aqui das redes sociais somos os que se recusaram a seguir o experimento até o fim.

Denilson Cicote é o @deci_cote, que fala de "humor e política na medida certa e às vezes na medida errada, já que o homem é a medida de todas as coisas."

Arquivo:

Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

CAI A NOITE


Demasiada Loucura 
é o mais divino Juízo - 
Para um Olhar criterioso 
Demasiado Juízo - 
a mais severa Loucura 
É a Maioria que 
Nisto, como em Tudo, prevalece - 
Consente - e és são - 
Objeta - 
e és perigoso de imediato - 
E acorrentado  

Emily Dickinson

(Ilustração: Patient Lovers, de Salvador Dalí)

DIÁLOGO SOBRE A LOUCURA


Como alguém, que não é especialista em medicina psiquiátrica, pode avaliar quando outro alguém (ou um seu ato) possa ser classificado como louco? Loucura intrínseca ou temporária? Insanidade do tipo "patia" ou subjetiva? Cada vez mais, ao olhar em volta, a qualquer distância, dez passos de mim que seja, a qualquer tempo ou lugar, parece que esbarro em algo meio louco ou algum tipo de situação que, sem querer, exclamo (mesmo que em pensamento): "que loucura!".

O mundo está mais louco ou mais livre, ou mais preso e dominado, ou mais perdido em si, tornando os seus habitantes tanto ou mais que o próprio mundo, propensos à insanidades diversas... Como tudo na vida moderna, essas doses de loucura têm dois lados. Há quem deseje - eu própria me pego louca de vontade enlouquecer, por vezes, quebrando regras e amarras quaisquer - um punhado de doideira para sacudir alguma pasmaceira, e isso pode ser divertido, sem prejuízos maiores. Mas há o dark side, aquele das loucuras mal-intencionadas, e é este que me motiva tantas questões, agora.

Há certos tipos de loucura que me confundem, mais que outros. Perco-me na incapacidade de avaliar, apenas com base na observação e na razão, o que seria apenas um exercício de loucura verbal, trololó, conversa fiada, desabafo desagradável mas inofensivo; ou se a loucura é tanta que possa vir a termo, a qualquer momento, aquela ação prometida, com ares de ameaça. E parar para pensar sobre isso, geralmente à custa de outra atividade mais importante na minha vida, e honestamente, até do sono e da saúde, também não seria loucura minha? Bobagem, exagero ou cautela?

Loucura chegar à conclusão que ninguém é completamente louco ou ninguém é completamente são? Loucura concluir que uma figura a dirigir-lhe atos obsessivos  por sabe-se lá quanto tempo, motivada sabe-se lá por qual visão deturpada da realidade, de si, turvada por alguma paixão - possivelmente do tipo que envolve muita raiva, ciúmes, desgosto, ódio e a própria alma, miseravelmente incapaz de reconhecer os seus erros, culpando terceiros - possa te levar, por sua vez, à loucura, de tanto nisso pensar?! E pensar se é o ato, isolado, ou se é o ator, por si, que seja louco...pode te levar a COMETER algum ato insano? O "tributo" à Fatal Attraction ali abaixo ilustra bem como uma loucura pode levar uma pessoa sã a cometer das suas...

Talvez você leia tudo isso e pense que eu fiquei louca, porque não faz mesmo muito sentido questionar sobre loucura, sem chegar a lugar algum. Não tenho, para não variar, nenhuma resposta. Apenas quanto mais me pergunto, mais tenho perguntas. Quanto mais eu penso sobre o que tenho visto e considerado como loucura, mais percebo que estou sujeita a uma incerteza eterna, que me apresenta sucessivamente, bens e males diversos, muito próximos de mim, e ao mesmo tempo, que me escapam, sempre. 

Só o que me resta é esperar. E continuar a pensar sobre, tentando não cometer loucuras por conta das loucuras que me cercam...


Arquivo:

Sábado, 18 de Fevereiro de 2012

CARNAVAL: SAMBA DO DESCANSO

A vida, talvez, precise de pausas
De olhar, calmo como a água ao sol 
Sem espanto, sem tanto - interrogar 
Nascer com o dia, amanhecer 
Sem penar, passar por ele, Leve 
Flutuar e se debruçar no prado 
como o sereno nas folhas, de madrugadinha. 
"Pescar, comer churrasco, tomar cerveja, 
dormir à sombra" - à tardinha 
Ser quem é, sem despertar nem sentir - medo 
Pois é assim que é. 
De olhar, calmo como o céu azul. 
Aqui, lá, em qualquer lugar 
Aonde espera-se a noite 
Dormindo. Medida do sem-fim. 
A vida, toda, precisa de pausas. 
"Podemos sentir saudades."

Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

CAI A NOITE


Quem pode livre ser, gentil Senhora,
Vendo-vos com juízo sossegado,
Se o Menino, que de olhos é privado,
Nas Meninas dos vossos olhos mora?

Ali manda, ali reina, ali namora,
Ali vive das gentes venerado;
Que vivo lume, e o rosto delicado,
Imagens são adonde Amor se adora.

Quem vê que em branca neve nascem rosas
Que crespos fios de ouro vão cercando?
Se por entre esta luz a vista passa,

Raios de ouro verá, que as duvidosas
Almas estão no peito traspassando,
Assim como um cristal o Sol traspassa.

Luís Vaz de Camões

ASSIM CAMINHA A MEDIOCRIDADE


Há um consenso quase total entre os historiadores, filósofos de esquerda, sociólogos e correntes políticas (até da chamada “direita”) que a história envolve um processo dialético, e bem ou mal o estruturalismo levou esta pretensão a todos os cantos da sociedade. Se tudo é estrutura e tudo envolve um processo dialético, chegaríamos então através da tese, à antítese na síntese, ou seja, uma junção das melhores partes das duas oposições. Tudo evolui de forma inequívoca até que a síntese final chegue. Isso é bem (muito) “grosso modo” a forma do pensamento dialético. Infelizmente, os fatos muitas vezes desmentem a teoria, e muitas vezes a síntese resultante é um retrocesso, apontando para a involução ao invés da evolução. 

Em termos políticos, essa idéia cria um determinismo inerente à história da humanidade e estaríamos, então, marchando para uma resolução das contradições da sociedade. Esta idéia dos políticos de esquerda possui o viés messiânico das religiões; há a luta entre os contrários, mas tudo caminha para um fim que não é um fim, porém um início, para uma sociedade perfeita: o paraíso onde todos seriam bons e justos e todos teriam igualdade. Seria a síntese histórica da luta entre o capital e o trabalho. Apenas basta retirar Deus da equação e colocar ali o estado, ou acima dele Marx, cujos livros seriam as novas bíblias.

Na verdade, apesar da validade da análise dialética em vários seguimentos das ciências, inclusive na história, nem tudo caminha para a síntese neste mundo que não é o mundo do personagem de Voltaire em “Cândido” , onde o Sábio contrapõe, brilhantemente, ingenuidade e esperteza, desprendimento e ganância, caridade e egoísmo, delicadeza e violência, amor e ódio. Tendo como plano de fundo a sociedade do Séc. XVIII, retrata um mundo extremamente cruel e materialista.

Cândido é acompanhado a todo momento pelo filósofo, Dr. Pangloss, uma caricatura do filósofo Leibniz e de suas teorias extremamente otimistas onde tudo ; "É tudo para o melhor no melhor dos mundos possíveis". A ironia final de “Cândido” é que o personagem central, que inicia o conto rico e amado e termina pobre e órfão dizendo ao filósofo que está cantando as loas do mundo: "Tudo isso está muito bem, mas é necessário cultivar o nosso jardim".

Digo estas coisas com o pensamento na decisão do STF de liberar a marcha da maconha, o que entra em flagrante contradição com o artigo 289 do código penal que proíbe a apologia às drogas. Nenhum dos senhores do Supremo procurou usar argumentos jurídicos em suas alegações, mas dizeres ditados e o lirismo cabível à Academia Brasileira de Letras. Um dos ministros chega até a interrogar: “o que é droga? Café é droga? Cigarro é droga? Cerveja é droga?”. Creio que não são assim tipificados nas leis, mas quem sou eu para contraditar o ministro Lewandowisk?

Enquanto todos estiverem em suas marchas (que mal reuniu 5 mil pessoas em um país de 190 milhões), mostrando que os maconheiros (ou ervoafetivos) têm mais apoio no Senado (com mais de 5 mil funcionários) que na sociedade, pais, autoridades responsáveis e povo em geral estarão dizendo às autoridades: “tudo isto está muito bem, mas é necessário cultivar o Jardim". Afinal, alguém tem de trabalhar enquanto outros marcham.

Denilson Cicote é o @deci_cote, que fala de "humor e política na medida certa e às vezes na medida errada, já que o homem é a medida de todas as coisas."

(Notas da Velvet: post publicado originalmente no blog Verbo e Paixão e 
Ilustração: "Carnaval nas montanhas", de Paul Klee)